sábado, 27 de dezembro de 2014

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Incógnita do Ser.

caiofernandoabreu:

Com pessoas, essa forma de criação mais imperfeita que Deus colocou sobre a Terra, tenho deixado pra lá. Minha energia é para o texto, as plantas, os passarinhos que alimento com sementes de girassol. A minha autocura no braço, na raça, na solidão que ninguém compreende, e por isso mesmo não dói. Me dóem as feridas físicas, as queimaduras de nitrogênio líquido pelo corpo. Tenho visto anjos, sa’s?
E as fadas também existem, baby.
(Caio Fernando Abreu. Carta a Jacqueline Cantore)

No momento sou incógnita, sou enigma, um rascunho deixado a metade. Outrora sou produto, dos meios, dos fatos. Divido-me  me encontro, agora como interrogação.
Por vezes me perco em minha curva e viro exclamação. Sou revolta, sou intensa, sou exata - ou tento ser- e desmorono... Desfaço-me em pontos de seguimento. Levanto-me e sigo novo caminho, vou gostando, me moldando, me mudando e quando dou por mim me multiplico, me reparto, viro reticências pra tentar ti acompanhar, teimo fazer-te minha continuação e bruscamente sou obrigada a frear.
Sinto-me agora um ponto vazio, um ponto final, mal acabado...
Junto meus pedaços, tudo oque me restou e agora sou prosa, curta, breve, brava -nem tanto- . E ai... Quando estou no meu melhor momento de aceitação você vem e meu eu lírico desperta e se torna poesia, mau escrita, borrada e cheia de garranchos. 
Poesia imperfeita, mas é tudo o que sou e é tudo o que volto a ser depois de tanta tentativa de viver.

Indiane Souza

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