segunda-feira, 6 de maio de 2013

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Afinal, o que seria de mim sem a palavra? Sim, eu falo daquela que descreve, desmascara e desatina, que exagera, enaltece e ilumina. Não qualquer palavra, precisa de ter a maledicência dos poetas, a esperança dos apaixonados, a imaginação esfuziante das crianças, a incomparável coragem dos soldados no front em plena batalha. A palavra que sabe o momento exato de se calar ou gritar explodindo-se em detalhes e exclamações. Aquela que sabe cuidar e proteger, mas sabe quando é necessário apontar, denunciar, ser política e revolucionária. O que seríamos de nós sem ela, justo ela que nos alimenta de sonhos, que nos consola e nos conforta nas estações frias, chuvosas e solitárias? Eu poderia lhes dizer que sem ela eu morreria, seria apenas um corpo sem alma vagando por ai. A palavra é meu rio de saudade, meu oceano chamado solidão, nela deságuo minhas lágrimas incontidas, nela mergulho meu desconsolo entretido, me entrego e meus pensamentos solidifico. E os sentimentos o que diriam? Se desesperariam sem a presença dela, amante, felina e adoçante de tantas noites intermináveis. Pois eu afirmo, sem as palavras eu morreria, seria um ser sem boca, sem olhos e ouvidos, seria um corpo sem vida.

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